Em meados do século
XIX, a região que se estendia para oeste, além de
Botucatu, entre os rios Paraná, Paranapanema e Peixe,
era ainda pouco conhecida e raramente povoada. A rigor
já se conhecia aí a presença de seres humanos, os
índios do grupo dos Guaranis: os Caiuás, os Xavantes e
os Caingangs.
O desbravamento do
sertão foi feito inicialmente por mineiros, atraídos,
depois da decadência das minas, pelas terras de campos
apropriadas às suas atividades de criação.

O
primeiro desbravador do sertão do Paranapanema foi José
Teodoro de Souza, que se apropriou de terras devolutas
cobertas por matas nas áreas de terra roxa e por campos.
Essas terras
estão situadas na zona climática tropical, onde
predomina, em função das temperaturas e precipitações
médias, o tipo Cwa, com temperaturas médias, nos meses
mais frios, superiores a 18 graus centígrados e uma
pluviosidade média anual variando de 1100 a 1225 mm.
Os mineiros
negociavam suas terras em "aguadas" (terra
compreendida entre dois espigões), porque a água é
indispensável a toda propriedade rural. Servia como
pagamento não só dinheiro mas, também, espingardas,
mulas arreadas, sacas de sal, etc.
A corrente
migratória de Minas para São Paulo aumentou quando os
mineiros fugiram da convocação de tropas para lutar na
Guerra do Paraguai. Com o fim da Guerra, continuou a
migração. As relações com os índios foram, em geral,
inamistosas e sangrentas, fazendo a posse da terra custar
muita luta e muitas mortes.
A disputa por
terras, devido a problemas de legitimação, fez surgir
os "grileiros", que, ao invés de ocupar e
explorar, passaram a especular com terras abandonadas,
com escrituras falsas, registradas em cartórios com a
conivência de escrivães.
Foi aberto, em
1893, um caminho entre Campos Novos do Paranapanema e o
Rio Paraná, para fazer a ligação com o Mato Grosso.
Neste cenário se
fez a expansão das plantações de café, produzido para
a exportação. Os espigões do Planalto Ocidental
Paulista valorizaram-se pelas possibilidades de se
plantar café. Surgiu o sistema de vendas de terras
chamado loteamento": os proprietários retalhavam
suas terras em pequenas propriedades e as vendiam a
prazo, para pessoas originárias das zonas velhas do
Estado, que acumularam recursos como colonos de grandes
fazendas de café.
Assim, o sertão
do Paranapanema conheceu tanto o latifúndio cafeeiro
como a pequena propriedade explorada pelo colono e sua
família.
Ao mesmo tempo, a
ferrovia (Estrada de Ferro Sorocabana) expandiu-se pela
região, sendo um importante elemento da infra-estrutura
da economia cafeeira, pois significava transporte
rápidc, seguro e barato do café para os centros maiores
A ferrovia favoreceu a penetração do sertão, os
loteamentos, a ocupação e o aproveitamento do solo. Ao
longo da ferrovia multiplicaram-se os núcleos urbanos,
dentre os quais Presidente Prudente.
A busca de solos
virgens para o café, a especulação com terras, a
colonização pelo loteamento de grandes glebas, a
ferrovia resumem as características de povoamento da
Alta Sorocabana, pertencente ao sertão do Paranapanema.
E neste pano de
fundo da história econômica paulista que se insere a
obra de Goulart e Marcondes, ambos, fazendeiros de café
e negociantes de terras, vieram participar da fortuna que
o café propiciava àqueles que se sujeitassem a
enfrentar os sertões.
O Coronel
Francisco de Paula Goulart era proprietário, juntamente
com os irmãos, por herança paterna, de vasto
latifúndio - a Fazenda Pirapó - Santo Anastácio. Em
1917, chegou ao local onde se ergueria uma das estações
da Estrada de Ferro Sorocabana, a primeira, localizada em
suas terras, e mandou demarcar o território de um
núcleo urbano e ao lado o de uma fazenda que pretendia
abrir para plantar café. Assim nasceu a Vila Goulart, a
14 de setembro de 1917. Ao mesmo tempo que abria sua
fazenda, Goulart ia vendendo terras de cultura de seu
vasto domínio aos interessados que chegavam,
participantes da invasão do café. Além dos lavradores,
apareciam outros mais interessados em comprar lotes na
Vila, a fim de explorarem o comércio. Com a
inauguração do tráfego normal de trens, em 19 de
janeiro de 1919, foi chegando mais gente e aumentando o
povoamento tanto rural como urbano.
Diferentemente de
Goulart, o Coronel José Soares Marcondes não era
proprietário de terras. Possuía, entretanto, uma
empresa colonizadora para a venda de terras - Companhia
Marcondes de Colonização, Indústria e Comércio.
Obteve opção de venda de vários tratos de terra,
dentre eles um no Montalvão, e outro latifúndio,
fronteiriço com a Fazenda Pirapó - Santo Anastácio,
separados pela linha férrea da Sorocabana.

Desembarcando
na estação de Presidente Prudente, em fins de 1919,
Marcondes iniciou a venda de 4.700 alqueires no
Montalvão, que foram retalhados em pequenos lotes de 5 a
20 alqueires. Não deixou ao acaso a chegada de
interessados. Organizou racionalmente uma campanha
publicitária em todo o Estado, e mesmo no exterior,
divulgando as excelências do solo e as oportunidades de
riqueza.
Providenciou com a
direção da Sorocabana o transporte fácil em vagões
especiais. Em pouco tempo, estavam todos os lotes
vendidos. Do outro lado da estação, em frente à Vila
Goulart, traçou a Vila Marcondes a fim de, como no caso
da outra, servir de centro de abastecimento de gêneros e
instrumental de trabalho, onde se encontrassem escola,
médico, farmácia e hospital. Esses elementos seriam
atrativos para a fixação dos compradores de terras.
Com o crescimento
dos dois centros urbanos acabou ocorrendo a fusão.
Quando houve a criação do município, a cidade tomou o
nome da estação férrea.
Em resumo, a
colonização Goulart caracterizou-se por ser individual,
pessoal, sem planificação, sem capital senão a
própria terra, continuando o espírito do pioneirismo de
José Teodoro; a colonização Marcondes tinha caráter
empresarial, com maior suporte financeiro, investindo com
estudada propaganda para realizar negócios. A rivalidade
entre os Coronéis Goulart e Marcondes serviu para
impulsionar o povoamento da área.Pelo recenseamento de
1920, Os habitantes do núcleo urbano atingiam o número
de 846 e o recenseamento escolar acusava 251 crianças de
05 (cinco) a 12 (doze) anos de idade, o que propiciou a
instalação de uma agência postal e de uma escola.
Pouco mais tarde, passou-se a exigir a instalação do
município, dado o desenvolvimento econômico e urbano do
povoado e pela grande distancia da sede municipal mais
próxima, Conceição de Monte Alegre. Antes disso, foi
criado o distrito policial, em 1921. Nesse mesmo ano em
outubro, o núcleo recebeu a visita do presidente do
Estado, Washington Luis.
O Distrito de Paz
e o município foram criados em 28 de novembro de 1921,
pela lei n9 1798, sendo instalado a 27 de agosto de 1923,
abrangendo uma área de aproximadamente 20.000 Km2 (8% da
área total do Estado). A comarca foi criada em 1922,
pela lei n 1887 de 18 de dezembro, desmembrando-se de
Assis, e instalada em 13 de março de 1923.
A estrutura
agraria do município organizou-se com a pequena
propriedade resultante da política de vendas de terras
de Marcondes e Goulart e com os grandes latifúndios.
A cultura cafeeira
era a atividade econômica mais importante e exercida por
proprietários, empreiteiros e colonos. Em 1927, era
estimado em 10 milhões o número de cafeeiros no
município. A década de 30 caracterizou-se pela maior
produção cafeeira prudentina. A decadência da
produção foi causada pelo cansaço das terras arenosas
da região, pelas geadas que dizimavam lavouras, pela
diminuição da exportação em virtude da qualidade do
café e da concorrência exercida por outros países e
pela crise econômica de 1929. A substituição pelo
algodão foi inevitável, favorecida por condições
tanto nacionais quanto internacionais.
O algodão trouxe
firmas estrangeiras que se instalaram nas cidades,
comercializando e financiando pequenos plantadores,
animados também pelo aumento do consumo nacional e
internacional da fibra.
Outros produtos,
como arroz, milho, feijão e batata constituíram a base
econômica do lavrador que, com sua venda, financiava a
lavoura do café, pagava a propriedade e sustentava a
família. O beneficiamento desses produtos era feito nas
cidades, o que fez aumentar o número desses
estabelecimentos e, consequentemente, o tamanho delas.
O crescimento de
Presidente Prudente exigiu a criação do primeiro grupo
escolar (hoje E.E.P.G. Prof. Adolpho Arruda Mello), em
1925, a primeira casa de saúde, em 1926, a Inspetoria
Distrital de Ensino, em 1928, que em 1932 foi
transformada em Delegacia de Ensino.
Os serviços religiosos prestados
pela Igreja Católica foram os inicializados com a
criação da Paróquia de São Sebastião, em 1925, para
onde veio o padre José Ma ria Martinez Sarrion, que
exerceu o cargo de pároco até o ano de sua morte, 1951.
Em 1929 nasceu a
Companhia Elétrica Caiuá, para o fornecimento de
energia elétrica, que teve inicialmente uma pequena
usina termoeléctrica, alimentada por um locomóvel a
varpor que acionava um gerador de 60 KW.
Já na década de
1940, o núcleo urbano fundado para dar arrimo aos
negócios da terra e à exploração agrícola, vai se
constituindo num centro comercial de beneficiamento de
produtos agrícolas e de prestação de serviços a toda
a Alta Sorocabana, desfrutando cada vez mais da posição
de capital regional.
As atividades
industriais também estavam ligadas à exploração da
madeira nos primeiros tempos e depois, crescentemente, à
transformação da matéria-prima oferecida pela
criação de gado bovino. O excedente, não consumido na
área, era todo enviado principalmente para São Paulo
por via férrea.
Em 1931, havia 17
estabelecimentos industriais em Presidente Prudente e em
1940 esse número passou para 138, com uma produção de
Cr$ 23.071.000,00, empregando 655 pessoas. lsso demonstra
a pequena expressão industrial da cidade, ligada
fundamentalmente à agricultura. O que se desenvolveu em
termos de indústria foi para complementar sua economia
agrícola, enfatizando ainda mais a predominância desta.
Ultrapassada a fase cafeeira por volta de 1940, o
algodão e o gado vão solicitar o mesmo tipo de
indústria que o café pedira: beneficiamento de sua
produção, isto é, máquinas de beneficiar algodão,
frigoríficos para as carnes e curtumes para os couros.
Além desse papel
receptador das matérias-primas produzidas na região,
Presidente Prudente também exerceu papel de mercado
abastecedor da área, pois a cidade estava cercada de
pequenas propriedades que, alem de não poderem
beneficiar seus produtos, também careciam de produtos
alimentícios e vestuário e ainda de serviços
especializados (escritórios, hospitais, etc.).
Assim, os
moradores da zona rural vendiam sua produção na cidade
e nela se abasteciam dos gêneros dos quais eram
carentes.
O aumento da
população foi constante. Em 1940 o município já
contava com 12.637 habitantes na área urbana, que se
somavam aos 57.879 habitantes residentes no restante do
município. Em 1950, a população urbana cresceu para
28.793 habitantes (incremento de 127,84%), e a
população rural diminuiu para 32.551, em virtude de
alguns desmembramentos municipais (Pirapozinho, Regente
Feijó, Álvares Machado).
O movimento
comercial da estação ferroviária era importante,
colaborando para a formação de uma expressiva renda
geral da ferrovia, sendo um dos primeiros municípios de
toda a Sorocabana. Em 1932, a renda de sua estação só
foi superada pelas estações da Barra Funda (cidade de
São Paulo), São Paulo, Bauru e Itararé. Em 1936, ficou
em sexto lugar, suplantada por essas mesmas estações,
às quais se somou a de Ourinhos. Em 1940, caiu para
oitavo lugar. No entanto, deve-se observar que o
movimento da estação referia-se basicamente à
produção do município; as outras cidades, ou eram da
capital ou de entroncamentos ferroviários.
O movimento
comercial também dependeu do aparelhamento da cidade,
aperfeiçoado aos poucos. Inicialmente, eram casas que
tinham os mais variados produtos, evoluindo depois para
casas mais especializadas em certos produtos (tecidos,
ferragens, etc.).

Os
serviços também foram se ampliando e diversificando.
Multiplicaram-se os escritórios, os bancos (o primeiro
foi o Banco Noroeste, instalado em 1926), serviços de
saúde e higiene pública (em 1929 a cidade possuía 11
médicos; em 1935 começou a funcionar o ambulatório da
Santa Casa), os serviços escolares, religiosos e de
comunicação (os primeiros jornais foram A ORDEM, de
propriedade do Coronel Goulart e O PARANAPANEMA, de
propriedade do Coronel Marcondes; A VOZ DO POVO surgiu em
1926 e O MUNICÍPIO em 1928).
A população, em
1960, era de 54.055 habitantes na área urbana, crescendo
para 91.188, em 1970, e 127.988, em 1980. A cidade,
assim, tornou-se capital da Alta Sorocabana porque, era a
mais expressiva da região. Para ela dirigiam-se os que
chegavam pelas mais diversas razões, mesmo se fixando na
zona rural, elegendo-a como centro fornecedor e
receptador ou, quando nela se localizavam, aumentavam sua
população e seu equipamento comercial, industrial ou de
serviços. Com isso, vieram os órgãos estaduais
regionais de ensino e de polícia e a cidade serviu
também de ponto de apoio para as explorações mais
distantes, do sul de Mato Grosso, do Norte do Paraná e
da Alta Paulista. O ramal de Dourados da Estrada de Ferro
Sorocabana partia de Presidente Prudente. A
pavimentação das estradas, a partir da década de 1950,
confirmou a cidade como importante entroncamento
rodoviário.
A vida política
da cidade também foi marcante em toda a região, desde
os primeiros tempos dos Coronéis, a constituição de
partidos políticos com a conseqüente contestação ao
coronelato, ao surgimento do populismo, após a
Revolução de 1930, mudando, à medida que o tempo
passava, a estrutura político-administrativa municipal.
Com a criação
das Regiões Administrativas do Estado, a sede da 10a
Região foi instalada em Presidente Prudente. Nessa
época, o equipamento urbano da cidade podia ser assim
resumido: 1920 estabelecimentos comerciais, atacadistas e
varejistas; 87 estabelecimentos industriais com mais de 5
operários, 24 estabelecimentos bancários; 4 escolas de
ensino superior, 38 escolas de 1o. e 2o. graus, 5
cinemas, 4 jornais e 4 emissoras de rádio; 12 hospitais
com 599 leitos; e 89 médicos.
Atualmente, os dados mais
significativos da cidade são os seguintes:
| População aproximada |
200.000 habitantes |
| Área Total |
530,89 Km² |
| Altitude |
472 m |
| Temperatura média |
28° C |
| Distância
da Capital |
560
Km |
|